No futuro, todo o mundo sambando, jogando futebol e pedalando
Então estamos há muito tempo nos tempos da globalização né?!
Tem muita gente fazendo previsão de um bocado de coisas.
Tem muita gente fazendo previsão de um bocado de coisas.
Minha irmã teve a premonição do que vai acontecer com a linguagem, quando tudo for universal e verdadeiramente globalizado - yaso.in , em O que eles disseram de nós, Designers - embarcando na onda, a conclusão do livro O que é globalização, de Ulrich Bech, traz também uma leitura do futuro.
Então... De volta pra lá:
A brasilianização da Europa.
"Os neoliberais venceram, inclusive a si mesmos. O Estado nacional foi reformado. O estado social está em ruínas. Entretanto, não impera a desordem. No lugar das construções de poder e de direito dos atores do Estado nacional, apareceram várias unidades de poder conflitantes, que se defendem e se enfrentam. Entre elas existem territórios que, jurídica e normativamente, não pertencem a ninguém.
Nas perigosas cidades do interior, empregados engravatados vivem e trabalham em arranha-céus vigiados por câmeras de vídeo e governados e abastecidos por grandes empresas transnacionais.
Ao lado disso, há parques e regiões de proteção ambiental, que são mantidas e defendidas por militantes ecológicos -os chamados vírus terroristas- com violência armada.
Em certas regiões, pode-se consumir e adquirir livremente entorpecentes. Em outras, existe pena de morte para os fumantes. Grupos de aposentados armados patrulham as fronteiras bem vigiadas de suas colônias.
Existem vias de alta velocidade para superlimusines, que devem, porém, entrar num acordo entre si, quando estiverem num cruzamento, para que possam satisfazer seu desejo de ultrapassar a velocidade da luz. Isso porque essas vias também fazem fronteira com as ciclovias, nas quais é proibido circular sem bicicleta, sob o risco de multas pesadas – com todos os protestos que daí surgem na vida cotidiana. Trata-se aqui da pergunta que cada um, a seu modo, tem que responder: como eu posso descer de minha bicicleta, sem infringir – pelo menos momentaneamente – essa lei do pedestre? A esse respeito, as escadas e os vãos das escadas foram adaptados para a utilização de bicicletas. Ao lado da cama e ao lado da mesa do escritório foram montados dispositivos que permitem aos ciclistas tanto guardar seu veículo quanto desempenhar outras funções na vida, onde a bicicleta não é necessária – como, por exemplo, dormir e trabalhar. Tudo isso de maneira imperfeita, mas assim é a vida."
(Euzinha, tô achando essa parte muito boa; mas acho que o autor pensou em muitas, várias, milhares de bicicletas juntas, indo para a mesma direção – e não na liberdade de ir e vir que uma ciclovia normal e atual tem.)
"Os meios de transporte público são descartados. Eles fazem lembrar os dinossauros do Estado nacional, que podem ser visitados somente em museus bem vigiados. Quem ainda se atreve a andar pelos metrôs que ainda circulam, está se expondo por conta própria a assaltos, de forma que o fato de ser assaltado corresponde a uma auto-acusação. A regra diz que os assaltados são os próprios culpados pelo assalto.
Entre esses territórios de domínio – confusamente delimitados por grandes empresas, associações, cartéis de drogas, exércitos de salvação, militantes naturalistas, sociedades de ciclistas – e as circunstâncias em que se permite livremente roubar - talvez porque o terapeuta considerou essa experiência pessoal imprescindível para o processo de formação da personalidade-, há apenas a lembrança distante daquele Estado nacional orgulhoso ... Os Estados representam interesses particulares de interessados particulares. "
Em tempo: Eu até dormindo pedalo por aí. E isso não quer dizer que apóie a idéia ou que ache bonito esse mundo aí imaginado...

3 Comments:
O Gigue.. O certo é o que eles falaram de nós, designers. E não designs. Design é o fruto do nosso trabalho, e não adianta vc querer corrigir porque quem faz o português não são os especialistas em língua, mas sim, quem FALA.
E tenho dito.
Ah, esse futuro aí tá errado. Me disseram de fonte segura que a galera vai aprender o teletransporte com os Et's...
O Gigue.. O certo é o que eles falaram de nós, designers. E não designs. Design é o fruto do nosso trabalho, e não adianta vc querer corrigir porque quem faz o português não são os especialistas em língua, mas sim, quem FALA.
E tenho dito.
Ah, esse futuro aí tá errado. Me disseram de fonte segura que a galera vai aprender o teletransporte com os Et's...
Ei Baby!
Vou consertar o nome do seu artigo, nem percebi, li a palavra e me pareceu que era assim que se escrevia.
Quanto ao lance de fazer o português a questão não é a atualização do idioma, mas o público!
A quem interessa a FALA solta?
Para quem se fala o que é dito?
A parada é tão boa que há várias outras opiniões contrárias à sua e favoráveis a ela também.
As favoráveis carregam da festa, nos bolsos, uma carga política. As desfavoráveis fazem piqueniques no jardim da lei e da nacionalidade.
Muito antes desses comes e bebes aí, Aristóteles já falava em retórica, querendo explicar onde realmente a gente encontra o que um cabra-macho tá querendo dizer.
Daí veio uma disciplina para acabar com as opiniões, a lingüística, que tenta explicar tudo melhor ainda... e isso parece que não tem fim.
É um ponto de vista - como diria o pai diante de um quadro surrealista - mas não é o único. Tanto menos o válido.
E eu que achava que era assunto cimentado nas calçadas da vida resolvi escrever sobre. Tomara que o artigo este mês, que vai tratar disso aí, fique bom pq eu tô muito empolgada pra escrever.
Mando pra ti pra receber a crítica... subversiva!
Beijo!
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